(Última alteração em: 12 de julho de 2021)
As especificidades que o transporte de madeira acarreta para as empresas do setor representam a exigência de condições especiais para a sua movimentação pelo modal rodoviário. Essa prática é reflexo não somente da legislação, mas da busca por melhores alternativas que facilitem a comercialização de produtos florestais.
Afinal, o acondicionamento adequado no veículo tem relação direta com a conservação da carga e a prevenção de acidentes nas estradas. Esse também é um ponto verificado nos postos de fiscalização, o que pode resultar em penalizações por causa de irregularidades.
Por isso, se você está interessado em conhecer mais sobre esse processo, confira o nosso post!
Os itens que se enquadram nessa categoria
Segundo a classificação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), os chamados produtos florestais são constituídos de diversos derivados da madeira.
Desse modo, as dimensões, o peso e o tipo de embalagem alteram a forma como os produtos são transportados até o seu destino. O meio mais comum no segmento madeireiro é o corte em postes ou toras longas.
Contudo, existem outros formatos como:
- escoramento;
- estaca;
- lenha;
- palmito;
- piso, rodapé ou batente;
- carvão vegetal.
Cada tipo tem características que alteram o seu transporte, porém, neste artigo, focaremos em toras e postes.
O tipo de veículo mais indicado para o transporte de madeira
Há uma grande variedade de caminhões adequados para transportar a carga da melhor forma. Por isso, com o intuito de garantir que o veículo mais apropriado seja utilizado, o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) determina a utilização da Combinação Veicular de Carga (CVC).
O CVC é uma combinação de uma cabine com implementos, que podem ser reboques ou semirreboques. A capacidade de carga também deve ser considerada para suportar peso bruto total superior a 57 toneladas com comprimento maior do que 19,80 metros.
A importância do transporte de madeira adequado
O respeito à regulamentação de trânsito é um fator que beneficia produtores, empresas de transporte e a sociedade como um todo. Assim, com o carregamento adequado e dentro dos limites determinados por lei, não há exposição a riscos como:
- acidentes;
- danos à malha viária;
- tombamento da carga.
O excesso de peso constitui uma das principais causas de acidentes em rampas e curvas acentuadas que são comuns nas estradas brasileiras.
A utilização de empresas terceirizadas também representa um risco devido à baixa interação com a empresa contratante. Por esse motivo, os contratos precisam ser redigidos para possibilitar a gestão, fiscalização e avaliação por parte da contratante.
Esse rigor garante que ambas as organizações sejam beneficiadas e o processo seja concluído de forma satisfatória.
O procedimento correto para o transporte de madeira
A tendência da sustentabilidade tem grande influência no mercado e na forma como o consumidor avalia a indústria. Por isso, a atenção aos cuidados necessários ao transporte de madeira é essencial para a diminuição de acidentes e danos à carga.
Esse princípio tem impacto em toda a cadeia de suprimentos, desde os produtores até o cliente final. Com isso, a adoção de procedimentos de transporte mais rigorosos é uma vantagem competitiva no mercado.
Amarração
Um dos principais desafios dessa modalidade de transporte é garantir a estabilização da carga, principalmente aquela que está no formato de postes. Por isso, a amarração é uma preocupação tanto para o transportador quanto para a indústria de beneficiamento para a qual se destina.
É exigida a utilização de cabos de aço ou cintas de poliéster com alta resistência. Essa é uma mudança recente que proibiu o uso de cordas devido à sua fragilidade quando em atrito com a carga ou partes metálicas do veículo.
Os motoristas flagrados com veículos em descumprimento da norma estão sujeitos à multa e pontuação na carteira por uma infração considerada grave.
Empilhamento no veículo
A forma como os produtos florestais são acondicionados no caminhão tem regras que devem ser seguidas para garantir que os próprios motoristas fiquem seguros, além dos passantes nas vias públicas.
O caminhão com carroceria florestal, também chamado de fueiro, é amplamente utilizado para o carregamento de toras de madeira. Esse tipo de veículo é composto por uma superfície plana que tem escoras de metal posicionadas nas laterais e painéis na traseira e dianteira.
Recomenda-se que o empilhamento seja feito em formato de pirâmide: consiste em uma base com maior quantidade de toras do que na parte de cima, desde que não exceda a altura dos painéis que estão à frente e as escoras que estão nas laterais do caminhão.
O acondicionamento da carga é um fator estratégico e a sua otimização aumenta o volume transportado, sem exceder os limites legais. Com a observação das regras, a possibilidade de deslizamento da carga é limitada, evitando, assim, eventuais acidentes. Desse modo, o objetivo de manter a estabilidade da carga durante todo o trajeto é alcançado.
Carga e descarga
A operação de descarga depende da utilização de bons equipamentos de carregamento e da contratação de pessoas qualificadas para essa atividade. Esse aspecto é fundamental para obter maior eficiência e proteção para o motorista e para os profissionais de pátio.
Por isso, o maquinário empregado deve ser capaz de assegurar a agilidade dessa tarefa para aumentar a performance da área. De acordo com o tipo de produto florestal, pode-se descarregar de forma manual ou por meio da utilização de máquinas providas de garras para a remoção das toras de madeira do veículo.
Conservação do veículo
Os caminhões utilizados no transporte de madeira devem passar por extensiva manutenção devido à sua utilização constante e às condições das estradas, em sua maioria, rurais, que levam até as plantações.
Esse desgaste natural afeta principalmente a carroceria e os eixos que suportam o peso da carga. Por esse motivo, as transportadoras devem investir em manutenções periódicas com o intuito de verificar componentes como:
- suspensão;
- pneus e rodas;
- sistemas de freios.
A legislação que trata do transporte de madeira
O transporte de madeira, no Brasil, é regulamentado pela Resolução Contran nº 196/2006. Essa resolução passou por algumas mudanças pela Resolução Contran nº 246/2007.
Essas duas resoluções definem práticas eficientes para transportar madeira. Consideram desde os requisitos fundamentais de segurança até o detalhamento das características dos veículos que podem fazer o transporte desse tipo de carga, como a existência de painéis e de cabos de aço quando necessário.
De acordo com a legislação, o comprimento máximo de tora é de 2,5 metros de madeira bruta. As toras devem estar dispostas no sentido longitudinal do caminhão, na vertical ou formando triângulos e pirâmides.
Além disso, os veículos apropriados para realizar o transporte de madeira devem passar por inspeção de segurança para a obtenção do CRV (Certificado de Registro de Veículo) e do CRVL (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo).
Os equipamentos obrigatórios na carroceria do veículo
Para transportar madeira na vertical, conforme a lei, é necessário que a carroceria do veículo disponha dos seguintes itens:
- painéis dianteiros e traseiros (apenas veículos extensíveis dispensam painéis traseiros);
- pelo menos, duas escoras laterais de metal (fueiros) para cada tora ou conjunto de toras;
- cabo de aço ou cintas de poliéster capazes de aguentar tração mínima de 3 mil quilograma-força (kgf) e tensionados por um sistema pneumático autoajustável ou por catracas instaladas na carroceria.
Para o transporte de madeira dispostas em triângulos ou pirâmides, a carroceria deve dispor de:
- painel dianteiro com a mesma largura da carroceria;
- pelo menos, dois fueiros com altura de 50 centímetros no mínimo e com reforço de salva-vidas;
- cabo de aço ou cinta de poliéster capazes de aguentar tração mínima de 3 mil quilos e tensionados por sistema pneumático ou por catracas instaladas na carroceria.
A licença ambiental necessária para o transporte de madeira
Transportar madeira sem a licença devida é crime ambiental. Consequentemente, o infrator pode ser penalizado com multa, apreensão da carga e do veículo. A detenção do responsável também é uma possibilidade. Desde 2006, o DOF (Documento de Origem Florestal) para transporte e armazenamento de itens florestais nativos do país, principalmente o carvão vegetal. Ele é emitido através da internet, no site do Ibama.
O DOF confirma que a madeira tem procedência legal, sendo obrigatório para transportar:
- madeira bruta: tora, torete, escoramento, poste não imunizado, mourão, estaca, lascas e achas na etapa de extração, palmito, xaxim, lenha;
- madeira processada: forro, piso, rodapé, porta de madeira maciça, batente, portal, lâminas, tocos, bolacha de madeira, carvão vegetal.
As normas e os cuidados para transportar madeira conforme a lei
Já vimos que é preciso tomar cuidado com a amarração, empilhamento, carga e descarga. As normas NR 11 e NR 12 determinam as condições para que sejam realizados o transporte, a movimentação, o armazenamento e o manuseio seguros dos materiais.
Entre as medidas de proteção coletiva, está a implantação de proteções físicas fixas nas zonas de risco (enclausuramento de sistemas de transmissão por polias e correias, existência de um circuito de parada por emergência). Também é importante que haja proteção contra esmagamento, agarramento e aprisionamento nos movimentos das correias, esteiras e outros transportadores contínuos.
Outros cuidados envolvem:
- treinamento periódico de funcionários;
- manutenção preventiva dos equipamentos;
- proteção das partes móveis dos equipamentos;
- limpeza do assoalho;
- demarcação das zonas de risco;
- adoção de dispositivos de segurança (acionar alarmes, paradas de emergência).
A madeira é um recurso natural extremamente valorizado, mas, devido às suas propriedades, há limites para a sua extração e beneficiamento. Por isso, o desenvolvimento de tecnologias, desde a sua plantação até o transporte de madeira, tem papel fundamental no aumento da produtividade.
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